31/01/10

Miguel Sousa Tavares e os UMM`s


Miguel Sousa Tavares é um “homem da televisão” e por isso é um dos escritores mais conhecidos em Portugal.

O seu trabalho no mundo da Literatura não é só reconhecido por terras Lusitanas, mas tambem é traduzido e aclamado tanto pela crítica como pelo público em diversos países dos 4 cantos do mundo.
Esta breve introdução ao assunto têm a ver que Miguel Sousa Tavares, (adorado por
uns, odiado por outros), têm levado a marca dos “nossos meninos” (leia-se UMM) por todo o globo, quer na pratica quer na teoria. Atrevo-me a dizer que ele (Miguel) (e sem dar por isso) tem sido um dos “missionários pregadores” desta nossa marca pelo mundo fora.

Podem até estranhar o meu comentário mas todos nós sabemos que Conduzir um UMM tem duas formas de ser descrito: o prazer de viajar no tempo e desfrutar o poder da mecânica pura e dura, e assim sentir quase sem “filtros” o contacto da máquina com o meio que a circunda (ruído de rolamento, a penetração do som do motor no habitáculo com escassa protecção acústica, as irregularidades da estrada) e, ainda, quase anular quaisquer declives ou obstáculos do terreno. Isto, graças a ângulos de bom nível, um sistema de tracção integral com caixa de transferências, redutoras com excelentes capacidades.

Talvez por estas propriedades inigualáveis nos UMM’s, que fazem deste símbolo a marca preferida do famoso escritor nas suas inúmeras viagens pelo Mundo em geral e pelo continente Africano em particular.
Basta ler alguns dos seus livros de viagens e ao desfolhar das páginas encontramos inúmeras alusões dessa “paixão” pelos UMM`s. (por vezes até com piadinhas á moda de Miguel Sousa Tavares). Vejamos:

Da obra: Sul-Viagens (2004) Oficina do Livro Soc. Editorial, Lda.-Cruz Quebrada
O autor começa por dizer-nos que “… eu sou um contador de histórias. Pagam-me para isso, pagam-me para percorrer o mundo e contar o que vi…)
E nesta obra no meio de tantas historia reais das quais vou transcrever algumas mais relacionadas com os UMM´s no entanto há imensa fotos alusivas ao UMM no livro.
(pag.90) “…Marraquexe quer dizer «parte depressa» …” “…eu cheguei de carro, ou melhor de jeep, como convêm aos tempos de hoje…”
(pag.187) A pista para Tamanrasset (diário de bordo de uma viagem ao Sahara)
(pag.190) “… Depois do jantar, é preciso tratar do carro- a coisa mais preciosa entre todas. Para já o nosso feio e desconfortável UMM está em forma, mostrando porque é que apesar disso é tão estimado: porque aguenta «porrada» até mas não…”
(pag.192) “…tudo é novo para mim, tirando o deserto, que já conhecia. A primeira descoberta é a condução todo –o- terreno de que estou a ficar rapidamente adepto. Como o meu UMM é o segundo na ordem de marchada coluna…”
(pag.193) “… enquanto no meu jeep (UMM) para se encontrar o que quer que seja, desde o abre-latas a lanterna, se roça o desespero, e para escolher o jantar é preciso limpar o pó das latas para ler o conteúdo…”
(pag194) “…lá estávamos sentados numa mesinha, nas traseiras do jeep, e jantamos uma feijoada com todos os primores…”
(pag.197) “…13º dia, sei lá por onde é que andamos! É em direcção ao Sul – isso eu sei, do resto já perdi as referencias. Acho que eu e o jeep (UMM) (ver varias fotos) já formamos um só corpo. Sinto os gemidos dele e ele deve sentir os meus. Estou coxo da perna esquerda de tanto carregar na embraiagem pois esta se constantemente a mudar de velocidade, neste terreno. O pulso direito está aberto por causa das chicotadas do volante nas pedras…”
“…mas o pobre UMM está pior do que eu. Ontem (em pleno deserto do Sahara) caí em dois buracões sucessivos, que me custaram dois pneus, uma mola, e a coluna de direcção torta: agora as curvas é segundo o sistema «mais ou menos». Há outras avarias do UMM menos graves mas igualmente incomodas: o para brisas está partido, o meu cinto de segurança não sai da calha, tanta é a areia que deve ter; o isqueiro que que dava imenso jeito para ligar a luz a noite pifou; o travão de mão morreu; a buzina iden, os travões dianteiros tambem se foram e nos buracos deixei a panela e metade do tubo de escape. Mas anda caramba…” “… já dei comigo a interrogar-me «mas o que é que eu faço aqui? Que necessidade tinha eu de estar aqui»? Ainda não conheço a resposta toda…”
(pag. 203) “… 19ºdia , pumba, tinha que ser, vinha eu tão contente com o estado magnifico do meu UMM, comparado com tantos outros da coluna, e logo havia de estragar tudo a um dia de Djanet!...” “…de prego a fundo apanhei de repente três autênticos muros de areia que parecia rocha, ai de meio metro de altura cada um e mandei três cangochas no ar, aterrando com a sensação que o UMM tinha entregue a alma. Bem ele andar ainda anda mas faz pena vê-lo andar.
“… o UMM andar ainda anda mas parece um pato ferido na asa, todo assapado à frente e uma roda para leste e outra para oeste, mas é assim que que eu vou ter de me arrastar até Djanet…”
(pag 218) “… 26ºdia, cavalgada para Tamanrassset: hoje 620km de pista dos quais 180 a noite. Um pesadelo o carro (UMM) está ingovernável e a moral nas ultimas…”
(pag 224) “… 36º dia no sul do Atlas e já de regresso a casa… seguiu-se então uma cavalgada infernal por aquela estrada de intermináveis rectas sem ninguém no horizonte. O pé doía-me de ter o acelerador permanentemente carregado ao fundo, tentando arrancar do meu desfeito jeep (UMM) o ultimo estertor de brio que ele ainda tinha para dar(….)e assim seguia-mos a 140 a hora (…) e foi assim que entrei numa inesperada curva de acelerador a fundo , e azar o meu metade da curva estava coberta de areia (…) e as duas toneladas de UMM atravessaram se na estrada, roncando sofridamente(…) apenas confiei a minha esforçada alma a vontade daquele sacrificado UMM. De modo que quando ele parou virado no sentido inverso e sempre a trabalhar eu não cheguei a sentir emoção alguma, limitei-me a virar o volante para Norte e a reapontar no caminho para casa, tamanha era a minha fé de que eu e este destroço (leia-se UMM) haveríamos de chegar juntos e salvos a Lisboa. (JULHO de 1996)
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Da Obra” No teu Deserto, quase um romance”(2009) Oficina do livro
“… esta historia que eu vou contar passou-se comigo há 20 anos atrás.(…) juntava latas de conserva, punha etiquetas, em frascos de comida e caixas de cartão, e arrumava tudo nas traseiras do nosso jipe.(…) O nosso jipe um UMM, motor Peugeot e carroçaria Portuguesa, seguramente o mais feio, o mais resistente e, para mim o mais comovente que eu alguma vez guiei. Durante um mês e meio ele serviu-nos sem um desfalecimento através do deserto do Sahara, na Argélia aguentando dunas e pistas de calhaus, arrostando com tempestades de areia, calores assassinos durante o dia e frio Polar durante a noite, e sempre seguindo em frente, pegando o motor todas as manhas, quando eu a medo ligava a ignição. Rangeu, sofreu, houve mesmo alturas em que gritou mas nunca morreu, nunca nos deixou ali…”
(pag 19) “…O jantar estava salvo e a zanga acabada, era impossível resistir aos humores do UMM, e aos imprevistos do deserto …”
(pag 23) Partimos então de Lisboa numa manha de chuva em Novembro.Partimos simbolicamente da torre de Belem, o lugar mítico das antigas viagens dos navegadores.(…) e assim partimos Alentejo fora, Andaluzia, a baixo(…) até Alicante para apanhar o ferry até a Argelia(…) Ali na N340 (Espanha) aprendi rapidamente por instinto e por desespero como usar uma ameaça de duas toneladas de um jipe para fazer os carros da frente abrirem passagem…”
(pag.40) “… até chegar a minha garrafa de whisky, guardada nas profundezas da carga do meu UMM (…) apenas iluminado por uma ténues luzes de presença no tecto, até chegar ao meu UMM…”
(pag.79) ”… Lá retomaremos a nossa viagem, e confesso, já tinha saudades de me sentar ao volante do nosso querido e horrendo UMM ALTER II – um estranho nome para um estranhíssimo jipe…”

Enfim…palavras para que….é um artista Português e amante de UMM’s

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